O estigma do vegetarianismo

Patrícia Rosado

03 Junho 2019

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O estigma do vegetarianismo

O estigma do vegetarianismo

Aqui há uns dias vi uma imagem que dizia: ´suplementação para vegetarianos: Vitamina B12 e Paciência’. Visto que a B12 não é de todo verdade (novos estudos comprovam que na alimentação tradicional apenas vão buscar a B12 porque suplementam o gado com a vitamina portanto, não passa de uma suplementação indireta) já a paciência tem dias que era preciso uma boa dose da mesma.

 

A verdade é que ainda há muito o estigma (cada vez menos, felizmente) que a comida vegetariana é qualquer coisa precária, e só o nome ‘comida vegetariana’ assusta a muitos, e provoca aqueles olhares desconfiados como se pertencêssemos a uma seita qualquer. Tem dias, muitos dias, que nós vegetarianos ouvimos ‘ah só comes erva’, ‘para ficares bem tens de comer o triplo’, ‘a comida vegetariana sabe toda ao mesmo’, ‘então a tua carne é o tofu e seitan’, ‘a comer assim não consegues treinar’, ‘lesionas-te porque não comes carne’ (como se quem comesse não se lesionasse). Uma das melhores respostas que já ouvi em relação a uma provocação destas foi: ‘o bife é que sabe sempre ao mesmo’. Não podia ser mais verdade. Ainda não consegui perceber onde está a refeição completa num bife grelhado, de gado alimentado a ração ou de aves de aviários, com uma malga de arroz branco.

 

Nós somos vegetarianos há 2 anos apenas, mas posso vos dizer que até então não tinha descoberto uma ‘cozinha’ tão saborosa e colorida. É raro repetirmos as mesmas refeições (claro que temos pratos base e práticos para dias mais agitados), mas adoro experimentar receitas e pratos novos. Tento que os nossos pratos sejam sempre coloridos, completos e maioritariamente saudáveis.

 

Não comemos só ‘erva’, e não comemos todos os dias tofu e seitan. Escolhemos a proteína nas leguminosas (essencialmente) e adicionamos sempre um cereal (de preferência integral) para conseguirmos todos os aminoácidos essenciais. Os legumes nunca faltam, ou uma boa salada no verão. Além disso muitas vezes adicionamos fruta no prato ou acompanhamos com um copo de sumo de laranja (aumenta a capacidade de absorção do ferro vegetal). Não comemos só comida crua. Adoro usar o forno no inverno, o wok para pratos exóticos, a frigideira ou o grelhador para os hamburguers ou o tacho para aquela comida reconfortante.

 

Se já há uns bons anos que sou adepta de marmitas, hoje em dia elas viajam mesmo connosco para não correr o risco de apanhar algum cozinheiro de restaurante que ache que uns legumes congelados de pacote com um arroz branco sirva para alimentar um vegetariano (ah é do pior que pode acontecer!!). Assim, controlamos o que comemos, a qualidade do que comemos e a carteira agradece (na imagem uma receita de um dos livros da blogger Vânia Ribeiro da Made By Choices)!

 

Ser vegetariana trouxe-me aliás consciência para muitas outras coisas e sinto que faço uma alimentação muito mais alinhada com os meus princípios e valores. Não tento convencer ninguém a comer de uma forma ou de outra, tento mostrar que é possível viver e ser ativa não tendo de sacrificar nem animais nem o planeta. Se pelo caminho inspirar algumas pessoas ficarei grata e feliz por isso, se não, esta é a minha conduta e forma de estar e peço que respeitem também.