Do yoga à meditação: uma experiência na primeira pessoa

Patrícia Rosado

06 Maio 2019

Sem comentários

Casa Blog

Do yoga à meditação: uma experiência na primeira pessoa

Do yoga à meditação: uma experiência na primeira pessoa

Já há algum tempo que queria escrever sobre yoga e meditação mas por vezes as palavras não nos saem, ou não conseguem descrever aquilo que queremos transmitir. E por ‘medo’ fiquei calada.

 

A minha curiosidade com o yoga começou há muitos anos, de forma muito subtil. Nunca tinha tido qualquer contacto com a prática de yoga, nem sequer tinha visto de perto ninguém a praticar, mas tinha o desejo de me sentar no meio de um prado verde, ou numa montanha e fazer yoga. Mas, basicamente não passava disso, de uma vontade pouco fundamentada e, a inexperiência e o desconhecimento desta prática fizeram com que nunca o tivesse feito, nessa fase da minha vida.

 

Uns anos depois, inscrevi-me num ginásio em Torres Vedras, onde conheci o meu primeiro professor de yoga, o querido Dario. Finalmente satisfazia esse desejo da minha alma. Saía da prática leve, a sentir paz, a sentir a necessidade do silêncio, das luzes baixas, de me manter em introspecção comigo mesma. Começava ali um encontro comigo mesma, perdida tantas vezes numa vida agitada em piloto automático.

 

Hoje em dia as vidas são assim, tarefa após tarefa, minuto após minuto não nos permitimos parar. Interessa produzir, encher o horário, não ter tempos mortos. Uma vida cheia, mas cheia de nada. Estar sempre ligados, mas tão desligados. Ficamos tão perdidos de nós mesmos que nem na nossa própria companhia conseguimos estar. Depois ficamos admirados que as nossas relações falhem, que os nossos corpos adoeçam, e já nem respirar saberíamos se não fosse um gesto autónomo e eficiente do nosso corpo.

 

Eu sentia cada vez mais que não era este o rumo que queria para a minha vida. Estava cansada do piloto automático. De, por mais que adorasse (e adoro) a minha profissão, que desejasse o fim de semana, as férias ou o feriado. Estava cansada de sentir a ansiedade do domingo à noite ou do final das férias. De ter mil e uma tarefas encaixadas em cada buraquinho do meu horário que me faziam ser uma máquina de fazer coisas, umas atrás das outras, sem tempo para parar, para sentir, para pensar. Estava cansada de estar longe de mim.

 

O yoga trouxe-me essa nova possibilidade. Parar um pouco, procurar-me, encontrar a minha essência. Cuidar de mim, do meu corpo e da minha alma. Respirar novamente.

 

Uns meses depois, arrisquei tudo, mudei de vida de forma abrupta. Qualquer mudança brusca que nos tire o tapete e a segurança tem esta capacidade de nos fazer questionar quem somos, o que queremos e o que não queremos. Mete-nos em balanço, em busca, na procura do nosso propósito de vida, da nossa verdadeira essência. Foi nesta fase que encontrei no yoga uma forma de estar, aquela hora preciosa da semana em que podia cuidar do meu templo. E rapidamente comecei a praticar sozinha também.

 

Talvez já tenham lido muitas descrições sobre a prática de yoga, bom eu tenho a minha. Para mim o yoga é uma prática física e espiritual (não religiosa) que nos permite chegar a um conhecimento mais profundo de nós mesmos, que através de posturas e permanências nos ajuda a identificar quais as áreas que mais devemos trabalhar em nós, numa postura de aceitação mas também de resignação em poder melhorar. É uma forma de estar presente, se viver o aqui e agora, não só na prática mas no dia-a-dia. Não é nenhuma seita, não rejeita pessoas por terem diferentes religiões, não é uma coisa de pessoas zen e sempre em paz.

 

A meditação surge como uma necessidade após estar mais desperta na prática de yoga. Talvez associem a meditação àquela postura sentada, costas muito direitas e respirações profundas (algumas dores de costas e a impossibilidade em ficar mais de 2 minutos assim). True. Mas a meditação é bem mais do que isso. Qualquer atividade que me faça sentir em paz e mais presente, para mim é meditação. Criei o hábito de me sentar sim, de respirar profundamente, de fazer alguns exercícios respiratórios que aprendi no yoga. Mas também percebi que me sentar em frente do mar, a ver as ondas a avançar e recuar me ajudam a encontrar-me comigo. Que ficar simplesmente de pé, como uma árvore, a enraizar-me na terra com os meus pés firmes no solo me trazem paz. Que o simples por do sol, tão subtil me ajuda a ver como o mundo é justo e como amanhã há sempre a promessa cumprida de um novo dia. O cantar dos pássaros, dos grilos, o som do vento nas árvores, o ondular da água fazem-me sentir parte do universo, dessa abundância, fazem-me sentir que pertenço também eu a um plano superior onde tudo é perfeito. Trazem-me a confiança de que tudo está certo e a alegria no caminho, num caminho muito mais consciente e profundo. Tudo o que me traz paz, que me faz sentir positiva, confiante e com fé faz-me entrar num momento meditativo, de cura do corpo e da alma.

 

Parece tudo perfeito e harmonioso, mas importa dizer que parar, olhar para dentro nos traz coisas boas e outras das quais queríamos mesmo era fugir. São essas que mais nos desafiam e que precisamos curar em nós se queremos mesmo crescer e ser pessoas melhores. Ir buscar lá dentro para sermos mais cá fora.

 

Hoje posso dizer que me conheço um pouco mais, mas que o caminho é longo também, cheio de desafios. Sei que quero viver assim, sentir mais, estar mais comigo, conhecer este ser profundo que habita em cada um de nós, a verdadeira essência. O yoga e a meditação trouxeram-me a possibilidade de despertar, de apreciar a vida com mais atenção e mais prazer. Com mais vontade também.

 

Caso para dizer:

 

Namasté!