Costa da Califórnia - Highway 1

Patrícia Rosado

18 Dezembro 2018

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Costa da Califórnia – Highway 1

Costa da Califórnia – Highway 1

Ao longo dos anos muito ouvi falar da Califórnia e de percorrer a estrada nacional 1, que percorre cerca de 616 milhas, de Dana Point (a baixo de Los Angeles), até se cruzar com o rio Navarro, já bem a cima de San Francisco. Após delinearmos a viagem pela Route 66 e aproveitando o facto de estarmos em Los Angeles achámos que seria uma boa oportunidade para fazer um pouco do traçado pela Nacional 1 e terminar a nossa viagem pela América em San Francisco.

 

Estávamos a chegar ao final de Novembro e até ali podemos dizer que fomos uns sortudos com as condições climatéricas. Apesar de termos apanhado temperaturas baixas, os dias foram maioritariamente solarengos e a chuva não chegou a aparecer. Mas estes dias pela highway 1 não foram tão bons, e os ventos fortes no segundo dia de viagem fizeram com que tivéssemos de alterar um pouco os planos e perdêssemos algum tempo.

Novembro não será certamente a altura ideal para visitarmos praias, e logicamente encontrámos algumas praias muito sujas (tal como vemos as nossas agora) mas que acredito que no verão não será assim certamente.

Após sairmos de Los Angeles fomos em direção a Malibu, uma praia também bastante conhecida por nós pelo pequeno ecrã. A maré estava muito cheia mas deu para vermos as casas, nos seus apoios de madeira, mesmo em cima do mar. Muitas praias na Califórnia são pouco acessíveis para o turista comum, as casas ocupam a extensão de praia e é difícil ter pontos de acesso públicos (coisa a que não estamos habituados em Portugal). Lá encontrámos um parque, note-se que quase todos os parques são pagos junto às praias, e caminhámos para a praia para tocarmos nas águas do Pacífico.

Ainda no próprio dia seguimos até Santa Bárbara, uma extensa praia, local predileto de muitos Americanos para as suas férias de Verão. Passeamos pelo pier de Santa Bárbara, já decorado com as suas luzes de Natal, o dia caia ventoso e nublado mas aquele momento, com o vento a bater na cara, a luminosidade baixa e o cheiro a mar deram-me uma sensação de bem-estar, de prazer e alegria. Como se tivesse vontade de agradecer simplesmente por estar ali, por estar aqui, por estar viva e a viver.

Seguimos até Lompoc onde passámos a noite. Choveu toda a noite e o dia que se seguiu foi de aguaceiros também. Fomos aproveitando as abertas do tempo para sair do carro e ver alguns pontos que selecionámos. Neste segundo dia conseguimos fazer muito mais estrada sempre junto ao mar, duas faixas apenas, com pouco transito, vilas de praia calmas, próprio da altura do ano. Parámos em San Luis Obispo onde tirámos a típica fotografia no corredor de pastilhas elásticas, mas não deixámos a nossa marca. Devido ao mau tempo tivemos de desviar e subir em direção a Monterey, sem passar pelo Big Sur. Contudo, porque não há coincidências, o azar do segundo dia fez-nos disfrutar bem mais do terceiro.

De Monterey saímos na direção sul, para passar pela famosa e bonita zona do Big Sur. E de facto, esta viagem deve ser feita na direção Norte-Sul, primeiro porque facilita nas paragens, não sendo necessárias manobras perigosas de pouca visibilidade para sair da estrada e segundo porque a vista é bem melhor. Ficámos surpreendidos, Big Sur é imponente mesmo. Nesta zona as praias são de arriba, muitas inacessíveis, mas incrivelmente belas. O verde à volta faz lembrar os açores, com as vacas igualmente a pastar. E mais a sul, a zona de prados, transforma-se numa zona montanhosa, com árvores de montanha, centenárias e imponentes. É linda a junção da serra com o mar. Quem olha para a esquerda e vê a serra quase não acredita que à direita tem o mar, e vise versa. A mistura do cheiro a maresia e do cheiro a montanha torna o Big Sur surpreendentemente bonito e exclusivo. Achámos os americanos um pouco loucos, constroem casas em sítios que em Portugal jamais seria permitido, sítios brutais mas incrivelmente perigosos também.

Quando acabámos a visita ao Big Sur invertemos o sentido e seguimos para Norte, tínhamos de chegar naquele dia a San Francisco. Passámos Monterey, fizemos uma última visita ao Walmart (onde fazíamos sempre as nossas compras) e vimos o pôr-do-sol numa praia belíssima – Shark Fin Cove. Gostávamos de ter chegado a Pacífica ainda de dia, mas não tínhamos tempo. No dia seguinte teríamos de entregar o nosso parceiro de viagem em San Francisco.

Tivemos apenas um dia em San Francisco, vimos alguns pontos de interesse e claro a famosa Golden Bridge. A nossa Ponte 25 de Abril tem sido apontada como uma cópia da Golden Bridge mas tenho vos a dizer que não passa de um mito urbano e de uma versão mal contada. Basicamente a única parecença destas duas pontes é mesmo a cor mas, há uma razão para o surgimento deste mito. A Ponte 25 de Abril foi projetada por uma empresa americana (American Bridge Company) que por sua vez também construiu também, cerca de 30 anos, antes a Bay Brigde, uma das pontes que liga San Francisco a Oakland. Estas duas pontes têm muitas semelhanças na sua estrutura e construção, desta forma, a nossa ponte foi pintada de vermelho para não ser comparada à Bay Bridge, que por sua vez é branca. Conclusão, por ironia do destino ou por histórias mal passadas, passou a ser comparada à Golden Brigde, apenas pela sua cor vermelha.

Gostámos da energia da cidade, da estrutura, dos seus prédios com terraços privados no topo, as ruas íngremes e a luminosidade. Mas teremos de voltar, e San Francisco parece ser mesmo uma cidade que deixa essa curiosidade e vontade.

Ainda conseguimos dar uma escapadinha ao Yosemite Nacional Park. O Yosemite é um dos parques mais conhecidos da América e conseguimos perceber porquê. Sentes-te a mergulhar no interior do parque, à volta só imponentes picos de granito (um deles o maior do mundo), quedas de água impressionantes, vales enormes. Vimos o parque com neve o que fez daquele momento um espetáculo imperdível, contudo não podemos fazer algumas atividades que gostaríamos porque simplesmente estavam canceladas devido à queda de neve e à dificuldade em circular de carro.

Esta parte final da viagem acabou por ser apenas um extra. Para nós portugueses e europeus que crescemos a ouvir a Califórnia como se de um local de sonho se tratasse, acabamos por depositar uma expectativa enorme baseada nas nossas crenças. Bom, a Califórnia na verdade deixou-me com saudades da América do interior. A Califórnia acaba por ser um pouco nosso oeste, local de agricultura, produção de carne e de leite e como tal com imensos sul americanos a trabalhar nos campos e nas cidades pouco citadinas. Logicamente Los Angeles e San Francisco são duas imponentes cidades mas não nos podemos esquecer que a Califórnia é muito mais que isso, sendo um dos maiores estados da América. Talvez no Verão as suas praias ganhem mais encanto mas logicamente também ganham mais turistas e confusão. Mais uma vez termino com a sensação: Portugal tem muitas praias, bonitas e versáteis, para todos os tipos de gostos; não precisamos de ir longe para aproveitar o mar, as ondas e as areias brancas.

 

Este foi sem dúvida um mês que ficará na história das nossas vidas. Gostava de ser viajante e conhecer o mundo, mas se assim fosse, ser anti rotina tornava-se rotina. Assim, grão a grão, vou absorvendo cada local, cada povo, cada cultura. E, quando o desejo cresce cá dentro, está na altura de procurar mais um destino e investir naquilo que me faz feliz.

 

Obrigada a todos os que acompanharam a viagem, aqui pelo blog ou pelo instagram.

 

Até já,

 

Patrícia