Route 66 - Segunda Parte

Patrícia Rosado

04 Dezembro 2018

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Route 66 – Segunda Parte

Route 66 – Segunda Parte

No dia 13 de Novembro iniciamos a que seria uma das viagens que sempre sonhei fazer – percorrer a histórica Route 66. Podes ler a primeira parte da viagem aqui.

Após a maratona da Route 66 em Tulsa (aqui) seguimos para Oklahoma City (Capital do estado), não foram cidades especialmente interessantes no que respeita a pontos históricos da route e também foram pontos pré e pós prova, de modo que nos desviou um pouco as atenções. Em Erick encontrámos um casal a fazer a mesma viagem que nós. Pensámos que ao longo da viagem nos cruzássemos com imensa gente, mas não, provavelmente por ser época baixa, mas ficamos a sentir que talvez já não haja tanta gente a percorre-la. Eles foram apenas os únicos que encontramos e que trocamos várias palavras e fotografias, enquanto comíamos o almoço nas nossas marmitas, num dia de sol tão bonito e num sítio mágico cheio de moinhos de vento típicos.

 

Quando achas que estás a fazer uma aventura ousada há sempre alguém capaz de te surpreender. Este casal holandês de meia idade (ele teria uns 65 anos e ela talvez uns 50) estavam a fazer a route 66 de bicicleta. Isso mesmo, de bicicleta. Estavam a viajar desde Agosto e ainda lhe faltava dois terços da route, esperavam acabar em meados de Fevereiro. Que incrível viagem e que salto para fora da zona de conforto.

A meio da tarde entramos no Texas e jamais poderíamos imaginar as mudanças que iríamos começar a ver. As zonas citadinas, organizadas e até europizadas (ao qual estamos tão habituados) começam a dar lugar a estradas retas de quilómetros e quilómetros, a paisagens secas e áridas. Fizemos uma primeira paragem num ponto recomendado da route, um restaurante texano típico e é impressionante como os cowboys ainda existem. Senhores já com a sua idade com os seus chapéus de cowboy, as suas botas pontiagudas e até com carros com aqueles cornos enormes no capot. Parecia um país diferente.

Estávamos em Amarilho, conhecido também pelos seus cadilacs enterrados e coloridos. Aliás existem dois pontos com os carros coloridos e enterrados ‘de cabeça para baixo’: o verdadeiro Cadillac Ranch – sempre cheio de turistas e o VW Slug Bug Ranch. Visitámos os dois e posso dizer que até gostei bastante dos VW, passámos ao final do dia, ninguém lá estava e tirámos as fotos que queríamos e demorámos o tempo que quisemos. O Cadillac Ranch está numa zona privilegiada, campo aberto e espaçoso, por lá espalhado podem encontrar latas de tinta e deixar a vossa marca. Contudo, os carros estão tão cheios de tinta que parecem estar a perder as suas formas originais. Em Adrian chegámos a meio da Route 66 e já ficávamos com um sentimento de nostalgia, como poderíamos já estar a meio?

As longas retas de paisagem da route 66 do Texas deram lugar às paisagens mais montanhosas com tonalidades em vermelho  – entrámos no Novo México. Seguimos e no dia seguinte chegámos a Albuquerque. O primeiro contacto com Albuquerque foi estranho (e ainda por cima tínhamos reservado duas noites para recuperar alguma energia). As pessoas ali já eram diferentes, o genuinamente simpático e sorridente que tínhamos encontrado até Oklahoma dava lugar a apenas a um cordial. O estilo europeu dava lugar a um estilo muito próprio, uma forma de viver muito característica e despreocupada, pelos vistos, típica do Novo México. Se se recordam da série Breaking Bad, ela relata muito bem a população de Albuquerque. Homens de calças largas e descaídas, ténis velhos, chinelos ou até mesmo pé descalço (isto com 5 graus em Novembro), com aquele jeito tão descontraído que dá lugar ao desleixado. Pessoas de pele morena e olhos rasgados de origem índia, ouviu-se espanhol em todo o lado refletindo a origem mexicana deste povo. Motéis em cada vez maior quantidade, alguns que parecem mesmo de filme, com os seus residentes habituais, nas suas vidas ilegais apenas perturbadas por umas visitas policiais. Se por um lado acharíamos que a cidade poderia ser confusa, isso não acontecia, ali há uma organização própria, um sossego quase desértico nas horas laborais e uma forma natural de tudo acontecer.

 

Fugimos a Santa Fé, primeira capital da América, e encontramos uma vila organizada, limpa e turística. Casas de adobe cuidadas, turistas por todo o lado. Arte a cada esquina e muitas oportunidades para se gastar muito dinheiro. Sentia-se segurança e tranquilidade. No fundo um Albuquerque dos ricos, dos turistas, dos dias perfeitos.

Após voltar a Albuquerque, circular nas ruas, na downtown, na nob ill; voltar a entrar nos supermercados, conviver um pouco com os locais, conseguimos perceber e absorver aquela personalidade típica, aquela rebeldia e gostar bastante até. Albuquerque é assim, com as suas próprias leis e tem tanto de genuíno nisso.

Normalmente a nossa rotina era conduzir das 9h às 18h aproximadamente, jantar uma refeição quente quando chegássemos (tentávamos alugar quarto com kitchenete para nos dar a possibilidade de comermos um pouco melhor) e após isso eu fazia o trabalho de casa: planear o dia seguinte, desde os pontos a visitar ao possível local para dormir. O Bruno conduziu sempre, no aluguer do carro não pedimos condutor extra, pois era mais um aspeto a pesar na carteira. Portanto eu fiquei responsável pela organização da viagem. Nesse dia à noite percebi que a route 66 passava num parque nacional chamado: Floresta Petrificada. Procurei na internet mas a informação não era esclarecedora, as fotografias não eram muitas nem apelativas contudo, a route em tempos atravessou o parque, portanto faria parte da visita. Decidimos incluir, apesar de pagarmos mais 20 US. E foi uma excelente e agradável surpresa. Chegámos lá pelas 15h, portanto teríamos menos de 2h para percorrer o parque, mas achámos que seria suficiente. Bom, passados 15 minutos percebemos que teria sido bem melhor ter mais umas duas horas de dia. Para além da floresta petrificada (troncos de uma floresta do período triássico fossilizadas) as paisagens do deserto pintado são impressionantes. O pôr-do-sol foi imensamente bonito, mas o nascer da lua cheia será inesquecível. As fotografias jamais poderão demonstrar a imensidão, as cores, os relevos e os contrastes! Ficámos fascinados, e hoje posso dizer que foi o nosso parque nacional preferido (sim, mesmo após o Grand Canyon e o Yosemite). E assim, com este final de dia chegámos ao Arizona.

Até já,

Patrícia