Route 66 Marathon (parte III) – Correr uma maratona

Patrícia Rosado

22 Novembro 2018

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Route 66 Marathon (parte III) – Correr uma maratona

Route 66 Marathon (parte III) – Correr uma maratona

Ao longo destes anos muito tenho ouvido sobre a experiência dos outros nas suas maratonas: as dicas, os conselhos, os medos, a enorme satisfação que é terminar a maratona – a prova rainha. Mas estas não passam de impressões e sentimentos muito pessoais, experiências na primeira pessoa. Uma coisa é certa: é preciso muito respeito por esta distância.

 

Fazer bons treinos longos de 25km ou 30km não predizem aquilo que vamos passar nos 42,195. Fazer uma meia maratona a 3’50 não significa que chegues à maratona e que corras a 4’15 com uma perna às costas ou a 4’30 a passear. Nada, no fundo, significa nada. São muitos quilómetros que dependem de muitos fatores: fatores ambientais, físicos, motivacionais, tempo de descanso, alimentação, hidratação. Alguns não conseguimos mesmo controlar. Antes de fazeres a tua primeira maratona não digas nunca que farás assim ou assado, que conseguirias isto ou aquilo; porque na verdade serão 42km surpreendentes.

 

Foi a prova que mais prazer me deu em completar? Não. Sinto-me uma atleta mais completa após a realização da maratona? Ainda não. Quero voltar a correr maratona? Sim. Não acho que a maratona seja uma prova para qualquer pessoa, ou que deva ser feita por qualquer atleta que se preze. A maratona é um desafio físico exigente, requer preparação física e uma condição de saúde adequada e apta para o fazer. Já senti bem mais prazer em completar algumas meias maratonas, inclusive provas mais curtas de 3000m e 5000m do que a maratona. Simplesmente porque defini objetivos concretos, porque consegui fazer uma preparação sem percalços, porque cheguei lá com aquilo que iria fazer bem definido na minha cabeça. Atingir esses objetivos fazem de mim uma atleta mais completa e confiante, mais madura e, dão-me um prazer enorme.

 

Acabar a maratona é sempre especial, logicamente estou feliz e satisfeita por ter acabado e ter acabado bem (sem problemas físicos). A tentação foi dizer logo ‘a próxima não volto a fazer mais de 3h’. Contudo, a maratona não é apenas uma corrida de 42km, são muitas corridas repetidas semanas a fio e, só na construção da mesma poderemos, com as sensações e o decorrer do tempo, perspectivar um tempo final (e mesmo assim nunca é linear).

Sim, quero voltar a fazer a maratona contudo, só a farei se conseguir levar a preparação até ao final. E por isso volto a repetir, é preciso muito respeito pela distância e por isso mesmo só voltarei quando o meu corpo me permitir preparar integralmente a mesma. Quero também sentir esse prazer imenso em completar a maratona dentro daqueles objetivos ambiciosos a que nos propomos.

 

Foi um desafio superado após ‘ter desistido’. Foi talvez uma loucura. Mas fi-la, o meu corpo respondeu e levou-me à linha final. Só posso estar grata por tê-la feito, pela coragem e claro, oportunidade. Levo para casa esta medalha especial com a inscrição ‘My First Marathon’, nunca tinha ouvido ou visto medalha igual, sinto-me uma privilegiada em recebe-la. De referir que a organização da Route66Marathon foi exemplar.

 

Tenho de realçar que os americanos são um povo entusiasta, com o frio que se fazia sentir sairam às ruas, ou estavam basicamente às portas das garagens das suas próprias casas, com música alta, fogueiras ou churrascos. Alguns tinham águas e até bebidas energéticas para os atletas. Eram muitos os cartazes de apoio, recordo-me de um em específico que dizia ‘Treinaste muito para ver este cartaz’. Durante a corrida ainda recebi uma coroa de flores de papel (que tive de tirar pouco tempo após) e uma pulseira cor de laranja (que na altura nem percebi o que era) dada por uma senhora que me disse ‘vai te dar boa sorte’. Essa não a tirei mais (afinal já ia no km 32 e precisava mesmo de sorte para o que faltava). Para além de ser uma pulseira simples, tem uma medalha que diz ‘Tulsa, 26.2’ dentro do conhecido símbolo da Route66.

 

Agora é descansar, absorver a experiência e delinear novos objetivos.

 

Obrigada por terem lido até ao final (era difícil resumir tudo isto).

 

Até já

 

Patrícia

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