Route 66 Marathon (parte II) - A minha primeira maratona

Patrícia Rosado

22 Novembro 2018

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Route 66 Marathon (parte II) – A minha primeira maratona

Route 66 Marathon (parte II) – A minha primeira maratona

Gradualmente achei que o meu corpo respondia, ou era simplesmente por estar distraída com novos locais, longe da minha rotina, emocionada pela viagem que estava a começar. Mas senti-me melhor, com mais energia e isso, sem dúvida, que me ia motivando e deixado feliz (nada melhor que sentirmos que podemos correr e faze-lo de forma prazerosa).

No último mês o Bruno sentiu algumas dores num joelho e, no dia antes da corrida, após experimentar voltar a correr decidiu que também não alinharia na partida da maratona. Fiquei triste. Aquele que seria um dia especial para nós, em que faríamos uma maratona durante a nossa viagem épica na Route66, na própria e histórica route e, não iria acontecer.

 

No dia da corrida de manhã, com as dificuldades em estacionar, perceber o local certo para apanhar o autocarro para a partida, apanhar o mesmo (primeira experiência num school bus típico) e após, perceber onde era o meu cantão; consegui partir no final do pelotão, quando deveria estar logo após as elites. Fiquei irritada e os primeiros quilómetros de prova manifestaram essa vontade de recuperar um pouco, embora me lembrasse muitas vezes ‘não queiras pagar a fatura mais tarde’.

 

Estavam temperaturas a rondar os 1º celcius, embora com a humidade (tinha chovido toda a noite) e o vento forte que se fazia sentir, acredito que o real feel fosse inferior uns bons 2 ou 3 graus. Corri de casaco e calças, estava impossível para o fazer de outra forma e jogando pelo seguro, se necessitasse de parar longe da meta, não corria o risco sofrer com o frio.

 

Bom, os primeiros 10km fiz a um ritmo, para mim controlado, sempre a ultrapassar atletas (que não sabia se correriam a meia maratona ou maratona). Aos 15 km tínhamos um retorno numa ponte onde nos cruzávamos e pude contabilizar 8 mulheres à minha frente. Fiquei motivada. Ficar nas 10 primeiras, após uma partida desastrosa seria excelente. Começava a pensar que poderia fazer a maratona. Nunca senti que estava num dia ‘sim’ mas, sem dúvida que não me sentia fraca como há 1 mês atrás. Achei que puxando o ritmo aos 4’30 o quilometro poderia conseguir fazer a maratona e quem sabe fazer um bom resultado.

 

Na passagem aos 20km estava o Bruno, já ia nessa altura a quebrar os 4’20 de média que vinha a fazer e ao vê-lo ali a gritar por mim, dizendo que era 4ª deixou-me motivada. Ali eu soube. Eu ia correr a maratona. Eu podia faze-lo, por mim e por nós!

Até aos 30km o território não foi totalmente desconhecido (fi-lo duas vezes em treino), as pernas já acusavam cansaço, mas nada que não achasse normal. Após os 30 quilómetros foi preciso correr com a cabeça. Aos 35 só correr com a cabeça não chegava. Naquele momento olhava para o relógio e percebia que os 4’20 eram mais que impossíveis e entrei na fase (aos 36km) ‘não pares nunca’. Aos 38km uma atleta ultrapassou-me, passei para quarta classificada, parecia com garra e mais forte que eu mas, a maratona é uma caixinha de surpresas e pouco depois comecei a perceber que a distancia entre nós era mais curta novamente: ela estava a fazer pausas para andar. Reforcei o sentimento: não pares; relembrei-me de tantas corridas que fiz em que tudo termina apenas na linha da meta e continuei sem a perder de vista.

 

Naqueles últimos 4km senti que já não corria, basicamente não sentia as pernas, estava tão desgastada fisicamente. Numa curva olhei atrás e consegui ver perto mais duas atletas. Há muito que tinha feito as contas e sabia que o meu tempo final jamais seria aquilo que ambicionei há meses atrás, mas sair dali com um lugar no pódio ou com um sexto lugar seria totalmente diferente. As classificações não são de todo o mais importante para mim quando procuro superar-me, melhorar um tempo numa distância ou conseguir um mínimo para uma competição. Mas naquele momento, sem dúvida que o facto de ainda poder chegar ao pódio deu-me força para não baixar os braços.

 

A talvez a uns 200m do final estava o Bruno, gritou para correr rápido, estavam duas atletas mesmo ali, uma delas mesmo ombro a ombro comigo. Já via a meta ao fundo, encontrei forças para aquele sprint final e isso fez com que ultrapassa-se a atleta que ia à minha frente (que me tinha ultrapassado há uns quilómetros atrás) e não permitisse ser ultrapassada. As corridas terminam mesmo na linha final.

Acabei muito desgastada, com a medalha da minha primeira maratona ao pescoço, feliz por não ter baixado os braços naqueles últimos momentos. Fui terceira classificada na minha primeira maratona, com um tempo oficial de 3h17’20 . Não é um tempo do qual tenha um orgulho imenso mas cada corrida tem a sua história e esta é a minha verdadeira história.

(Continua na parte III) aqui!