Route 66 Marathon (parte I) - A preparação

Patrícia Rosado

22 Novembro 2018

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Route 66 Marathon (parte I) – A preparação

Route 66 Marathon (parte I) – A preparação

No passado fim de semana em Tulsa tive o prazer de conhecer o famoso treinador e ex-atleta Bart Yasso e assistir a uma conferência sua. Das várias coisas que foi falando, uma ficou-me na memória, por ser tão verdade:

´When the gun goes off we all follow the same course to the finish line, but each one of us has taken a different path to the start line’

Também eu, neste caso nós, traçamos um objetivo para alinhar naquele dia na linha da partida, construímos uma história ao longo dos meses para poder terminar os 42,198km ao meu melhor nível.

 

Inscrevemo-nos na Route66Marathon no inicio de 2018. Onze meses é muito tempo e nunca sabemos como será todo esse percurso, mas as maratonas são assim, temos de nos inscrever com antecedência e correr o risco de podermos estar aptos ou não. Em Fevereiro devido a uma tendinopatia tive de reduzir drasticamente a carga de treino e quando já estava a sentir-me melhor bastaram duas semanas de treino e sofri uma lesão que me obrigou a parar 6 semanas totalmente. Só no final de Junho voltei a correr diariamente. Com isto foram 4 meses quase sem corrida, destes 4 meses, 6 semanas sem fazer qualquer atividade física (inclusive yoga), fiquei de baixa médica 2 semanas e nem 10 metros conseguia andar sem dores.

 

Contudo, quis acreditar: de Julho a Novembro ainda tínhamos quase 5 meses. Não era impossível preparar uma maratona, embora o meu treinador fosse da opinião que eu não tinha capacidade física para absorver a carga semanal de quilómetros necessária para poder preparar uma maratona correspondente ao meu melhor nível. Mas eu, como obstinada que sou, insisti que queria tentar, que queria fazer essa preparação e testar o meu corpo.

Inicialmente tudo correu bem. Continuei a fisioterapia nos primeiros dois meses de treino, de modo a controlar os sintomas e trabalhar o equilíbrio da bacia, evitando as descompensações e gradualmente todos os sintomas acabaram por desaparecer. Foi feito um trabalho gradual a nível de quilometragem e eu sentia-me bem e motivada.

 

No final de Setembro comecei a acusar algum cansaço, alguma dificuldade em conseguir aguentar os ritmos e cumprir treinos de series. Já no final de Setembro fiz uma corrida de 10km na qual não me senti bem, o meu corpo simplesmente não respondia à exigência. Sentia-me sem energia. Era tempo de fazer análises e verificar alguns valores importantes para nós atletas. Hematócrito baixo, ou seja, baixas reservas de hemoglobina no meu sangue. Comecei a suplementação e reforcei todos os cuidados alimentares que já vamos tendo habitualmente. Passaram quase 3 semanas, corri a meia maratona de Coimbra ainda debilitada e já desmotivada também. No final de Outubro desisti da ideia de fazer a maratona. De facto, o meu corpo não estava preparado para assumir a carga necessária.

Durante as semanas seguintes treinei controladamente, sem treinos de series, sem ritmos, sem pressão. Apenas a sentir e seguir as indicações do meu corpo. Não voltei a fazer treinos com mais de 15km. Os longos tinham acabado por ali.

 

Pedi autorização à organização para alterar a minha inscrição para a meia maratona e aguardei que a resposta fosse positiva. Contudo, não foi o esperado, argumentaram que tudo estava organizado e encerradas as inscrições e que a opção seria desistir à meia maratona. Aceitei.

 

Seguimos viagem para a América, sem pensar muito no assunto. Continuei a treinar sempre que podia, aproveitando os novos sítios que visitava para me cruzar com os atletas locais.

 

(Continua na parte II) Aqui.

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